sábado, 10 de maio de 2014

A primeira escola pública bilíngue é do Rio de Janeiro




O Colégio Estadual Hispano-Brasileiro João Cabral de Melo Neto foi inaugurado hoje (31) no Méier, zona norte do Rio. No local, os 106 matriculados vão fazer os três anos de ensino médio em uma escola bilíngue da rede pública em que as aulas são dadas em português e espanhol. O horário é integral e vai das 7h às 17h.
“Nós queríamos resgatar aquele conceito do CIEP [Centro Integrado de Educação Pública, projeto educacional elaborado pelo antropólogo Darcy Ribeiro inaugurado no Rio de Janeiro, no governo Leonel Brizola, em 1983] de horário integral ”, explicou o secretário de Estado de Educação, Wilson Risolia.
Como as vagas são limitadas, os alunos precisaram passar por uma prova, classificada pelo secretário, como uma espécie de “vestibulinho”. Primeiro foi publicado um edital e logo foram feitas após a inscrição dos jovens. No processo seletivo, 95% das vagas são destinadas aos estudantes que já são da rede pública. “Não é uma cota, é uma justiça”, disse, informando ainda que no ano que vem haverá mais um grupo de 106 alunos para compor a segunda geração da escola, que teve um custo de R$ 1,6 milhão, incluindo as obras e a compra, em dezembro de 2013, do prédio que pertencia a uma escola particular.
Durante o turno da manhã, o aluno estuda com 90% do currículo em português e o restante em espanhol e, no turno da tarde, a situação se inverte. O secretário explicou que o modelo foi criado para atender à matriz curricular definida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e para que os alunos também possam participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Para o conselheiro de Educação da Embaixada da Espanha no Brasil, Álvaro Laseca, o importante é que o aluno vai fazer um currículo integrado acompanhado por um assessor espanhol e, no fim, ele vai receber dois diplomas, um brasileiro e um espanhol. "A ideia é que eles tenham dois diplomas e, como o nível de espanhol vai ser muito bom, eles podem estudar em uma faculdade na Espanha", esclareceu.
O vice-governador, Luiz Fernando Pezão, que representou o governador Sérgio Cabral na cerimônia, disse que não tem outra maneira do país avançar se não for por meio da educação. " A guerra não está vencida, ainda temos que fazer mais para avançar", disse.
Luiz, filho do poeta João Cabral de Melo Neto, estava presente na inauguração. Para ele, é fascinante ver uma escola deste porte com o nome do pai. “Garanto que, onde ele estiver, estará feliz por ter sido lembrado em um momento como esse e, para mim, é emocionante”, disse.
Para Christovam de Chevalier, filho da jornalista Scarlet Moon de Chevalier, morta em junho do ano passado, a cerimônia também representou uma emoção. Ele e as irmãs Gabriela e Theodora doaram para a biblioteca do colégio mil livros que faziam parte do acervo da jornalista. Com a doação, a escola prestou uma homenagem à jornalista dando nome dela à sala. “O conhecimento é para ser compartilhado. Não teria graça nenhuma eu ficar com uma parte dos livros e as minhas irmãs com outras”, disse, acrescentando que alguns exemplares são raros e autografados por autores como Rubem Fonseca, Nélida Piñon, Lígia Fagundes Teles. “São grandes nomes da literatura brasileira contemporânea”.
O Colégio Estadual Hispano-Brasileiro João Cabral de Melo Neto faz parte do programa Dupla Escola do governo estadual que inclui além de escolas bilíngues, colégios com especialização. Na quarta-feira (29) foi inaugurada no Ciep Governador Leonel de Moura Brizola, em Niterói, a escola que terá aulas em português e francês e ontem foi a vez do Ciep Carlos Drumond de Andrade, em Nova Iguaçu, onde as aulas serão ministradas em inglês e português.
Ainda em 2015 está prevista a inauguração de uma escola bilíngue português e mandarim. Os entendimentos com o governo chinês estão adiantados. Risolia informou que a premissa básica nessas escolas é o intercâmbio entre professores e alunos e já está rendendo frutos fora do país. “A nossa escola em parceria com o governo francês vai inaugurar [na França], em setembro, uma escola em francês e português do Brasil”, disse.

4 comentários:

  1. Respondendo a uma pergunta que postei no fórum. É uma vitória para a educação do Brasil. Esperamos que seja a primeira de muitos e que tenha um ensino de qualidade.

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  2. Não sabia que existia uma escola pública bilíngue, espero que não seja só de fachada e que o ensino seja de qualidade.

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  3. Ainda não acredito que essa escola se enquadre no direito à uma educação para todos, a começar pelo caráter excludente do "vestibulinho". Vai ser mais uma UERJ, e tantas outras universidades públicas em que o público alvo não passa da elite carioca. Qual dos nossos alunos de escola pública teriam condições de adentrar uma escola dessa? E quantas se encontram na agenda pública a serem construídas?
    Aqui na Zona Oeste nem chegou a sombra da notícia de que "ganhamos uma escola desse porte", será por que?

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  4. É muito boa essa visão de uma escola para o mundo, mas não podemos esquecer que o Brasil ainda tem graves problemas de ensino básico esperando para serem resolvidos. Aqueles que ocupam postos de poder, não podem jamais esquecer isso.

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