SEGUNDO IDIOMA
To be or not to be?
Com o avanço da globalização, os colégios bilíngues do Rio de Janeiro se tornaram uma opção ainda mais interessante - mas não para todas as crianças
Foto: Getty Images
Segundo o diretor da Escola Alemã Corcovado, aprender dois idiomas ao mesmo tempo ajuda a desenvolver o cérebro
Criadas originalmente para abrigar os filhos de estrangeiros, as escolas bilíngues se transformaram em objeto de desejo das famílias cariocas que podem pagar por elas. Não é difícil entender as razões de tal fascínio. Estudar numa instituição desse tipo traz, de fato, vantagens evidentes para a criança. Entre elas:
Celebrado como trunfo no mundo de hoje, o ensino predominante em língua estrangeira traz, por exemplo, algumas dificuldades para os alunos que desejam cursar uma faculdade no Brasil. No Exame Nacional de Ensino Médio(Enem), apenas a Escola Alemã Corcovado e a Suíço-Brasileira costumam aparecer entre as vinte melhores da cidade. As outras se saem pior. No último teste realizado, a Escola Americana cravou apenas a 115ª posição entre os colégios cariocas. Tal desempenho provoca uma situação inusitada. Muitas vezes, o estudante é obrigado a fazer aulas de reforço para passar no vestibular. Isso se deve em grande parte à proposta das escolas. Desde o jardim de infância, as aulas em português são poucas, geralmente limitadas a matérias como geografia e história do Brasil. Em alguns estabelecimentos, nem elas são ministradas em português. Na Escola Britânica, todo o conteúdo é oferecido em inglês. "Estudos comprovam: aprender dois idiomas ao mesmo tempo ajuda a desenvolver o cérebro", defende o diretor brasileiro da Corcovado, Valdir Rasche.
Com duas meninas prestes a entrar em idade escolar, o empresário Fabiano Niederauer e a estilista Luciana Saiter vivem um dilema. "O contato com a cultura europeia, a disciplina rígida e os bons relacionamentos nos atraem", afirma Niederauer. "No entanto, é preciso levar em consideração o custo alto e a preparação para os vestibulares, não tão forte quanto poderia ser." O dinheiro é uma questão importante na equação. Matricular a criança em uma escola bilíngue exige um bom investimento. As mensalidades vão de 1 200 a 4 800 reais. Além disso, a maioria cobra o pagamento de uma taxa de admissão, camuflada sob o título de "despesas" ou "ingresso na associação de pais". O montante pode variar de 6 500 a 17 688 reais - o francês Liceu Molière, em Laranjeiras, é o único que não a cobra. "Nossa mão de obra é extremamente especializada", afirma Everardo Candido da Silva, diretor administrativo-financeiro da Escola Suíço-Brasileira. "Um terço de nossos professores vem da Suíça. Tem gente com salário de 10 000 reais."
Apesar das dúvidas, as escolas crescem de forma consistente. Hoje, o universo de matriculados já chega a 5 000 - e quase dois terços desse total são brasileiros. A expansão tem acontecido rapidamente. Na última década, a Escola Britânica somou à tradicional sede de Botafogo as filiais na Urca e na Barra da Tijuca. É a maior de todas, com 1 770 alunos. A Suíço-Brasileira também ganhou novo fôlego ao trocar, em 2005, uma inóspita construção em Santa Teresa, cercada de favelas, por um prédio novo na Barra: passou de 140 para 420 estudantes. Pelo lado dos estudantes do exterior, o crescimento econômico do país deu uma forcinha. Para atender à demanda dos empregados da indústria petrolífera no norte do estado, a Escola Americana abriu, no ano passado, uma filial em Macaé. Quarenta alunos já estão matriculados, somando-se aos 830 da sede, na Gávea. "A Copa do Mundo e a Olimpíada vão atrair mais estrangeiros para cá e aumentar a procura por nossas escolas", acredita a diretora de admissão da Escola Americana, Caren Addis. Para quem vem de fora, faz todo o sentido. Os pais brasileiros, porém, precisam pensar bem antes de fazer a escolha.
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/escolas-bilingues-rio-518033.shtml
- fluência em dois ou três idiomas,
- currículo adequado para ingressar em universidades do exterior
- rede de amigos espalhada pelo mundo.
Celebrado como trunfo no mundo de hoje, o ensino predominante em língua estrangeira traz, por exemplo, algumas dificuldades para os alunos que desejam cursar uma faculdade no Brasil. No Exame Nacional de Ensino Médio(Enem), apenas a Escola Alemã Corcovado e a Suíço-Brasileira costumam aparecer entre as vinte melhores da cidade. As outras se saem pior. No último teste realizado, a Escola Americana cravou apenas a 115ª posição entre os colégios cariocas. Tal desempenho provoca uma situação inusitada. Muitas vezes, o estudante é obrigado a fazer aulas de reforço para passar no vestibular. Isso se deve em grande parte à proposta das escolas. Desde o jardim de infância, as aulas em português são poucas, geralmente limitadas a matérias como geografia e história do Brasil. Em alguns estabelecimentos, nem elas são ministradas em português. Na Escola Britânica, todo o conteúdo é oferecido em inglês. "Estudos comprovam: aprender dois idiomas ao mesmo tempo ajuda a desenvolver o cérebro", defende o diretor brasileiro da Corcovado, Valdir Rasche.
Com duas meninas prestes a entrar em idade escolar, o empresário Fabiano Niederauer e a estilista Luciana Saiter vivem um dilema. "O contato com a cultura europeia, a disciplina rígida e os bons relacionamentos nos atraem", afirma Niederauer. "No entanto, é preciso levar em consideração o custo alto e a preparação para os vestibulares, não tão forte quanto poderia ser." O dinheiro é uma questão importante na equação. Matricular a criança em uma escola bilíngue exige um bom investimento. As mensalidades vão de 1 200 a 4 800 reais. Além disso, a maioria cobra o pagamento de uma taxa de admissão, camuflada sob o título de "despesas" ou "ingresso na associação de pais". O montante pode variar de 6 500 a 17 688 reais - o francês Liceu Molière, em Laranjeiras, é o único que não a cobra. "Nossa mão de obra é extremamente especializada", afirma Everardo Candido da Silva, diretor administrativo-financeiro da Escola Suíço-Brasileira. "Um terço de nossos professores vem da Suíça. Tem gente com salário de 10 000 reais."
Apesar das dúvidas, as escolas crescem de forma consistente. Hoje, o universo de matriculados já chega a 5 000 - e quase dois terços desse total são brasileiros. A expansão tem acontecido rapidamente. Na última década, a Escola Britânica somou à tradicional sede de Botafogo as filiais na Urca e na Barra da Tijuca. É a maior de todas, com 1 770 alunos. A Suíço-Brasileira também ganhou novo fôlego ao trocar, em 2005, uma inóspita construção em Santa Teresa, cercada de favelas, por um prédio novo na Barra: passou de 140 para 420 estudantes. Pelo lado dos estudantes do exterior, o crescimento econômico do país deu uma forcinha. Para atender à demanda dos empregados da indústria petrolífera no norte do estado, a Escola Americana abriu, no ano passado, uma filial em Macaé. Quarenta alunos já estão matriculados, somando-se aos 830 da sede, na Gávea. "A Copa do Mundo e a Olimpíada vão atrair mais estrangeiros para cá e aumentar a procura por nossas escolas", acredita a diretora de admissão da Escola Americana, Caren Addis. Para quem vem de fora, faz todo o sentido. Os pais brasileiros, porém, precisam pensar bem antes de fazer a escolha.
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/escolas-bilingues-rio-518033.shtml
estava fazendo um levantamento sobre as escolas do bilíngues do rio de janeiro e achei este texto...eu particularmente nunca gostei de estudar línguas por achar que os professores(a) não faziam das aula atrativas.
ResponderExcluirTive aulas de inglês e francês no antigo ginásio, na década de 70, no município de Belford-Roxo (RJ); dei sorte,ambos professores sabiam bem atrair os alunos, principalmente o de inglês que fazia questão que falássemos o máximo que pudíamos em inglês. Era época nas rádios de músicas nesse idioma, levávamos letras de músicas e o professor nos ajudava a traduzir. Eu gostava muito.
ResponderExcluirFui fazer curso de inglês pq não fui bem na prova do mestrado.
ResponderExcluirExcelentes informações do texto amiga. Realmente só mesmo as famílias com poder aquisitivo para acompanhar um ensino desse, a realidade é bem outra. Chega a ser frustrante aos nossos alunos. Bjs
ResponderExcluirÉ verdade; o ensino em nosso país se desvalorizou bastante. Hoje chega a ser uma novidade ter curso de línguas em escolas públicas, há uns quarenta anos isso era comum.
ResponderExcluirEsse texto deixa bem claro o que chamo de fantasma da exclusão na educação. Fica evidente a elitização do ensino e, por alguns segundos me recordei das aulas de História da Educação. Ainda me revolta muito ver que o melhor é uma exclusividade da classe dominante, e para aqueles que não emergiram com o capitalismo resta ficar decorando "the book is on the table".
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